25 de janeiro de 2009

lembranças


Estou na casa dos meus pais, revirando algumas gavetas da sala sem nenhuma pretenção, apenas a vontade de fuçar e lembrar o que havia de interessante ali. Descobri que minha mãe colecionou todos os meus boletins de desempenho durante todo meu primeiro grau e junto estava essa lembrança da minha pré-escola. Foi muito gostoso achar isso, assim como foi ler a avaliação descritiva da minha primeira professora sobre mim, ela escreveu o seguinte:

"Cristina é uma criança que deseja saber o porquê de tudo, obtém as respostas e explica o que aprendeu, justificando. 
Atingiu todos os objetivos propostos à classe de Jardim Nível B, e em todas as áreas demonstra bom desempenho.
Seus olhinhos vibrantes vão deixar muita saudade".
Édela


18 de janeiro de 2009

sacanagem

A vida pode pregar algumas peças. Às vezes a gente faz tudo, mas não basta a vontade.

16 de janeiro de 2009

Porto ALEGRA

No Rio, toda vez que me sentia aflita eu corria pro mar, tirava os sapatos e sentava na areia, e olhava aquela imensidão. Nessas horas eu me sentia um grão de areia, uma gota e os meus problemas iam ficando tão ridículos que dava vontade de rir.
Hoje aproveitei a orla do Gauíba, fui andando até o Gasômetro, me sentei embaixo de uma árvore e fiquei olhando a água por muito tempo. Tudo ficou ridículo!

14 de janeiro de 2009

Sonhos

Semana passada conversava com a Gabi no MSN e ela me perguntava sobre as novas (novidades). Tive que admitir que a minha vida domindo andava mais interessante do que a vida acordada. Naquele dia mesmo, cheguei a levantar da cama cansada. Havia sonhado que me matriculei numa academia (deve ser a consciência pesada) e joguei muito paddle, depois caí na piscina e nadei como se ativesse atravessando a Lagoa dos Patos, não bastasse, na mesma noite ainda saí pra dançar e beber. Não me lembro de ter sonhado com nenhum lugar e nenhuma pessoa que conheço. Tudo era novo, a academia, o paddle,  as pessoas, e os bares também não se pareciam nenhum pouco com os da Cidade Baixa. O comentário da Gabi:
- Não acordou 2kg mais magra?
Bom se fosse! Mas sonhar com o que não conheço foi ótimo. 
Essa semana comecei a sonhar em prestações. Um pouco na segunda e mais um pouco essa manhã. Digo em prestações porque era uma espécie de continuação. Sonho doido, era posse de uma espécie de Obama brasileiro, mas que na verdade se parecia com o Fogaça, um horror! São Paulo, ônibus, escola, um amigo que tinha um amigo que era como o Peter Parker, não na aparência, mas no poder de soltar teia de aranha por tudo. Na continuação tinha parque, UJS, família, bichos grilos desconhecidos, mais lugares novos e a sensação é de que ainda tenho mais por sonhar.
O fato é que nos sonhos tudo pode, coisas boas, absurdas e as ruins também. Em dezembro, sonhei três noites seguidas com uma pessoa que gosto muito e não vejo faz tempo. Dormindo consigo desafiar até as leis da física, como lembro de um antigo sonho que tive quando ainda morava no Rio. Naquela vez sonhei que fui à França num carro de papel. Também sei que existem os sonhos bobos, como me lembro de na infância sonhar com uma onda gigante que me perseguia, isso sonhei muitas vezes, mas mesmo assim sempre desejo me lembrar do que sonho, das pessoas, dos lugares e poder pensar que esse universo é livre e particular.

13 de janeiro de 2009

12 de janeiro de 2009

Achei bonito

Estou no final de um livro de contos Latino Americanos, a pouco o lí um conto de um autor da República Dominicana, René Del Risco Bermúdez, lá pelas tantas achei linda a seguinte passagem:
"E os anos vão caindo com todo seu peso sobre as lembranças, sobre a vida vivida, e o passado começa a se enterrar em algum lugar desconhecido, em uma região do coração e dos sonhos onde permanecerá, talvez intacto, mas coberto pela ferrugem dos dias, sepultado sob os livros lidos, a impressão de outros países, os apertos de mão, as tardes de futebol, as bebedeiras, os mal entendidos, o amor, as indigestões, os trabalhos (...)".
Agora que volto, Ton

24 de dezembro de 2008

Coração

Rifa-se um coração 
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional 
que abre sorrisos tão largos que quase dá 
pra engolir as orelhas, mas que 
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e, 
se recusa a envelhecer" 
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

Clarice Lispector

7 de dezembro de 2008

viva os fogos

O mundo é isso – um montão de gente, um mar de foguinhos. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as demais. Não existem dois fogos iguais. Existem fogos grandes e fogos pequenos e fogos de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem se intera do vento, e gente de fogo louco, que deixa o ar cheio de faíscas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumbram e nem queimam; mas outros ardem a vida com tanta vontade que não se pode olhá-los sem tocar, e quem chega perto, se incendeia.
Eduardo Galeano


2 de dezembro de 2008

Papai Noel

Estou com o espírito natalino. É bem verdade que o dia foi um presente, só coisas boas, entre elas um Papai Noel. Pra quem acha que o velhinho só faz sucesso com as crianças, então eis uma crianças aqui encantada. Estava atravessando a Av. Independência, esquina com a Barros Cassal, ouvindo música no mp3, do outro lado um Papai Noel e duas noeletes distribuiram balas. Chegando ao outro lado, ele veio na minha direção e me deu duas balas e um sorriso. Era um daqueles velhinhos de verdade verdadeira, com barba de verdade, branquinha.
Fiquei surpresa e contente, e comecei a lembrando de outros natais. Minha sempre me conta que quando eu tinha 2 anos fomos na Padaria Brasil lá em NH, tinha Papai Noel lá na frente e ela me levou para coversar com ele e pegar balinhas, também me disse que eu deixei ela toda envergonhada, me grudei com toda a força na barba dela para ver se era de verdade... e não era. É por isso que eu valorizo muito os velhinhos de verdade verdadeira. Também lembrei de um natal na casa dos meus avós, em que o Papai Noel me trouxe de presente uma barraquinha do Sítio do Pica-Pau Amarelo, mas em troca tive que deixar meu bico com ele. Foi uma alegria e uma tristeza né.
Acho que o Papai Noel é importante na vida de toda criança, faz parte da fantasia. Esperamos que ele venha para realizar nossos sonhos. Acho o máximo a campanha dos Correios, onde as pessoas vão lá e pegam uma cartinha que alguma criança escreveu para o Papai Noel, realizam o desejo das cartas e entregam novamente nos Correios para que chegue até a criança o presente que o Noel mandou.

1 de dezembro de 2008

luzes para mim

Amo luzes de natal. Acho que as noites de final de ano ficam tão bonitas com as casas enfeitadas de pequenas luzinhas. Quando era criança me lembro que aproveitavamos as noites quentes de dezembro para passear pelo bairro e ver as casas enfeitadas com as luzes. Uma pena ser cada vez mais raro encontrá-las.
Na frente de minha casa tem um prédio antigo, beeemmm antigo. Da minha janela da sala, quando estou jogada no sofá tenho vista para a cobertura. Essa cobertura tem uma porção de plantas, é muito verde, pelo que consigo ver é um casal de velhinhos que mora lá. Na verdade dificilmente vejo alguém, até porque o verde não permite muito, há algum tempo vi alguém praticando tai chi chuan, achei massa.
Ontem os vizinhos dessa cobertura me presentearam, colocaram um lindo conjunto de luzes enfeitando as plantas, e que eu posso ver do meu sofá. Achei que foi pra mim, ou no máximo para os vizinhos do quarto andar no meu prédio, uma vez que somente nós podemos vê-las iluminando a noite.