30 de outubro de 2008
Os Novos Baianos
Composição: Galvão - Moraes Moreira
Vou mostrando como sou e vou sendo como posso. Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos.
E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto. E passo aos olhos nus ou vestidos de lunetas.
Passado, presente, participo sendo o mistério do planeta.
O tríplice mistério do "stop", que eu passo por e sendo ele no que fica em cada um.
No que sigo o meu caminho e no ar que fez e assistiu. Abra um parênteses, não esqueça que independente disso eu não passo de um malandro. De um moleque do Brasil, que peço e dou esmolas.
Mas ando e penso sempre com mais de um, por isso ninguém vê minha sacola.
21 de outubro de 2008
20 de outubro de 2008
Depois de tudo, já era sábado. O homem do tempo insistia em errar a previsão. Desta vez estávamos nós três sentados naquela área sem ela, não me lembro de ter sentado ali sem ela.
Nós sempre nos acomodamos naquela áreazinha, nos dois degraus, mas desta vez éramos apenas nós. Não tinham as cadeiras de vime, nem o pote de doces e nem o chimarrão, nada específico pra ficar na volta.
Mas tudo bem, no céu também não tinha sol, abaixo da árvore da frente não havia mais flores, aquele céu carregado, aquele vento gelado. Nosso olhar pro nada, o som do creedence no violão e em nossos corações um vão.
18 de setembro de 2008
Viver
Viver
Quem nunca quis morrer
Não sabe o que é viver
Não sabe que viver é abrir uma janela
E pássaros, pássaros sairão por ela
E hipocampos fosforescentes
Medusas translúcidas
Radiadas
Estrelas-do-mar... Ah,
Viver é sair de repente
Do fundo do mar
E voar...
e voar,
cada vez para mais alto
Como depois de se morrer!
17 de setembro de 2008
16 de setembro de 2008
Parabéns pela coragem
Essa é a definição de coragem, segundo Silveira Bueno no mini dicionário da língua portuguesa (editora FTD).
Pra mim coragem é uma força que vem de dentro, é quase que como um vulcão, onde as lavras saem das entranhas dos nossos sentimentos mais íntimos. Coragem é deixar transbordar a vontade, o desejo adormecido. É encarar o que atormenta, olhar nos olhos do problema e lançar uma aposta.
Coragem é desafiar os outros e a si mesmo, é dizer sim e dizer não. Coragem é amar mais do que se amou antes. É corajoso quem se aceita, se critica e quem é orgulhoso. Tem coragem quem corre atrás do prejuízo, dos amigos, dos amores, dos sonhos.
Admiro quem tem coragem.
9 de setembro de 2008
8 de setembro de 2008
O essencial é invisível aos olhos

Quando cursava a terceira série resolvi que queria ler o Pequeno Príncipe, tive que reservar na biblioteca da escola, muitas crianças queriam o mesmo livro. Lembro como se fosse ontem como me diverti, eu lia deitada na rede na varanda da casa da minha madrinha, pra onde eu ia todas as terças feiras.
Na época não me preocupei em decifrar as entrelinhas. Mas, nesse final de semana caiu a ficha! Nós amamos as pessoas com os problemas e defeitos que elas têm, igual o príncipe ama a rosa cheia de espinhos. A gente ama ver as estrelas, os cometas, sonha e faz planos e a gente se esforça pra manter sob controle nossas emoções, nossos vulcões, barramos aquilo que com freqüência devíamos deixar sair. Me caiu a ficha, porque o essencial é invisível aos olhos! Falam os sorrisos, o sol, a voz e os poros ainda que não se possa ver. Isso é o essencial.
Viva o gênio Saint Exupéry
3 de setembro de 2008
vento só
Hoje tô sem vontade de falar. Fiquei sozinha na praça sentindo o vento gelado e úmido na pele, a esperança era poder sentir algo diferente.Tinha uma quadra, uma rua, uma praça, uma rua, uma quadra. Quando as coisas estão do jeito que eu não gosto, quando tenho vontade de fugir só consigo pensar nesse trajeto. Às vezes não sei se o caminho é só esse, duas quadras. Será a nossa distância 2 km? ou duas voltas ao mundo, quem sabe?
Convidei pra sentir um vento bom que soprava, mas fiquei ali sentindo sozinha. Queria ficar tão leve ao ponto do vento me soprar, de levar pra bem longe daqui, mesmo que só por hoje.
Talvez fosse melhor eu ficar aqui, e o vento levar pra longe tudo aquilo que está me perturbando. Percebi que hoje a solidão é a melhor companhia.
26 de agosto de 2008
A culpa é do Fidel
Quebrei o jejum, fui ao cinema e a culpa é do Fidel. Segunda-feira, última sessão, uma sala com cinco pessoas, uma cadeira nada confortável, uma tela imensa e uma paz interior in-des-cri-tí-vel.O filme é ótimo com “O” maiúsculo. A protagonista só tem nove anos, ela come frutas com garfo e faca de forma muito habilidosa e é a criança mais expressiva que já vi no cinema.
É impressionante como as crianças entendem o mundo de forma simples, uma pena que o sistema capitalista já nasça muito bem explicado na cabeça delas, é um comércio! Ainda bem que existem os vermelhos barbudos que se esforçam para dividir uma laranja em pedaços iguais com as próprias mão, ainda que isso seja difícil para quem come com garfo e faca.

