Por incrível que pareça tenho que acabar com o pouco juízo que me resta. Sim, tem pessoas abençoadas que já nasceram sem, o que eu considero sinceramente uma dádiva. Já eu, sou ajuizadíssima, nasci com os 4 sisos.
Dizem que esses dentes, que no geral são 4, começam a perturbar no final da adolescência, entre os 17 e os 20 anos de idade. Esquisito isso. Meu excesso de juízo começou a me atrapalhar só no ano passado, quando em livrei dos dois superiores. De lá pra cá a minha vida melhorou bastante, ando menos preocupada com coisas tolas, faço mais o que quero e o que gosto.
Eu sempre soube que ainda restavam mais dois, os inferiores, esses estão numa posição meio complexa, completamente deitados, e com força tentam estragar meu tratamento ortodôntico, creio que a força é proporcional ao juízo que quer sair de mim.
Na parte operacional da coisa, que é o que interessa, há algumas coisas que simplesmente não fazem sentido pra mim. Terei que me desfazer a força de uma coisa que é minha, nesse caso um dente, e ainda pagar uma fortuna por isso. Eu acho que o dentista que devia me pagar pra extrair um dente meu, afinal, andam cobrando os olhos da cara pra implantar dentes, que ainda por cima são dentes de mentirinha.
Sábado fui ao dentista, levei minha radiografia e minha mãe, até porque suponho que meus pais sejam responsáveis por eu ter esses malditos dentes. Conversamos com o dentista, que foi franco além do que precisava, o querido confessou que vai doer. Resolvi perguntar quanto teria que pagar pra me desfazer do juízo, pra quê eu fui pergunta?! Bem, vai sair por nada mais nada menos do que 250 reais, o preço mais alto na tabela de dificuldades que o doutor terá que enfrentar. A minha mãe sempre disse que eu gostava das coisas mais caras, mas eu podia ficar sem essa.
O dentista olha pra mim e diz: quer marcar uma data? É claro que eu quero, ta doendo né! Olhei pro calendário, me ative a não sacrificar os dois feriados do mês, e também o não feriado entre os feriados, isso pra não morrer de saudades do samba da sexta-feira. Decidi pelo dia 25 de setembro, uma semana antes do meu aniversário. Quero começar a viver os 25 anos sem esse juízo torto.
2 de setembro de 2007
Juízo e sisos, antes não tê-los!
Sinônimos
Faz muito tempo que quero ter um dicionário de sinônimos. Já tinha pesquisado em altas livrarias, mas tudo era um absurdo de tão caro, tipo, de 90 pilas pra mais (bem mais). Fui no sebo sábado e achei um um por 5 pilinhas. Tá certo que ele tá meio surrado, mas nada melhor do que poder se expressar bem, fazer palavras cruzadas com agilidade, não se repetir e por vezes ainda experimentar palavras pouco usadas (isso dá um tom chique e exótico ao texto né!) Detalhe: sinônimos, antônimos e homônimos.
29 de agosto de 2007
Diário do Diabo - quando os anjos se prostituem
Outro dia a Leo me falou de um livro chamado o Diário do Diabo. Eis que ontem ela me trouxe e disse que queria me emprestar.
Com o título de bacharel e sem freqüentar mais as noites da Feevale tenho aproveitado os momentos antes de dormir para ler ou fazer palavras cruzadas, ou os dois.
Diário do Diabo – Quando os anjos se prostituem – é um livro que conta a história da vida de um preso gaúcho, melhor, ou pior, é que é contata pelo próprio. O Melhor é pela autenticidade, o pior é que é verdade. Acho que foi isso, a verdade, que me arrancou lágrimas na segunda página. Eu não me lembro, nos meus poucos e bem vividos 24 anos, de algum livro ter me feito chorar, chorar com muitas lágrimas.
Por alguns instantes me perguntei se gostaria de continuar lendo isso. Refleti se não estava me deixando influenciar pela minha TPM que se aproxima e acabei seguindo a leitura até a pagina 17. Fechei o livro por conta da dor que se misturava com o sono e também com a dor na minha garganta. Reparei que na contra-capa não tinha um longo texto fazendo comentários ou resumindo a obra, solamente está escrito: Abrir os olhos para a violência que nos cerca não deve ser um triste privilégio de quem está definitivamente condenado pelo acaso a viver um dos papéis, de réu ou de vítima. Este é um livro para lembrar o que todos querem esquecer.
Depois disso decidi que não quero esquecer vou prosseguir a leitura.
23 de agosto de 2007
O vôo do Baltazar
Aqui em casa já tivemos várias espécies de pássaros, mas nenhuma que a família tivesse gostado tanto. Amarelinho, de bochechas vermelhas e uma crista alta, uma Calopsita, batizado de Baltazar pela Cacá. Meu pai o ensinou a cantar o Hino do Grêmio. Ele assovia uma maravilha, adora fazer isso pra chamar a atenção das visitas. As pessoas ouvem aquilo e perguntam quem esta assoviando, nem desconfiam dele.
O Balta, como eu o apelidei, foi acostumado solto direto, é um pássaro desses que pousa em ombro amigo, como diriam alguns “um papagaio de pirata”. Adora comer pipoca como gente grande, assisti filmes com a gente. Ontem mesmo vimos “A Procura da Felicidade”, com o Will Smith, um ótimo filme, talvez o Baltazar tenha se inspirado nele para voar, para buscar a sua felicidade.
Primeiro alçou um vôo pequeno, que foi da garagem até a divisa do terreno de dois vizinhos dos fundos de casa. Meu pai e minha mãe fizeram todo o esforço para resgatá-lo, usaram até uma escada, mas ele tava disposto mesmo a voar, e voou dali pra não sei onde.
Meu pai, coitado, tava quase chorando, pensando até em fazer umas pipocas e espalhar por aí, numa idéia semelhante intenção de “João e Maria”, aonde as aves vão comendo o caminho. Eu consolei dizendo: se ele sabe voar tão bem, é claro que ele tem que ficar livre. Mas meu pai, como preocupação de pai disse “ele sabe voar, mas não sabe sobreviver sozinho, não sabe buscar comida, e também tem muito gato na vizinhança”. Fiquei calada. A manhã nem terminou, aliás eu nem terminei de escrever isso e o bom filho retornou a casa trazido pela vizinha da quarta casa depois da nossa.
Sinceramente não sei como o Balta se sente, talvez frustrado. Mas é bem verdade que ele pousou em uma casa de família, procurando pessoas, tenho certeza que ele gosta de gente, talvez ele tenha descoberto isso ao longo do vôo. Também não sei se ele sobreviveria muito tempo sem comida e com tantos gatos por perto como disse meu pai, mas o Baltazar teve o imenso prazer de voar, de experimentar essa sensação para qual veio ao mundo.
21 de agosto de 2007
Ressaca Moral
saudade
" Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida ". Clarice Lispector
20 de agosto de 2007
mãos mágicas
Faz um tempo que vem circulando na rede uma apresentação de slides feita com fotos de uma impressionante habilidade de fazer arte com papel, porém não diz de onde vem tamanho talento. Felizmente navegando no blog da ilustradora espanhola Monica Calvo encontrei o site e o nome do responsável.Desenho pra gente grande
Um pequeno detalhe no filme “Deu a Louca na Chapeuzinho” me convenceu de vez de que esses desenhos animados dos últimos tempos são feitos pra adultos, ou melhor pra qualquer idade acima dos 5 anos.Bom, esse foi o detalhe, porque todo o resto está explícito. Uma história inteligente, com um humor inteligente, brinca com os esteriótipos da nossa imaginação ridícula sobre contos de fadas. Nesse caso a grande moral é: nem tudo que parece é! Achei esse filme semelhante a uma dinâmica de grupo (para adultos) chamada “João e Maria”. É a história de julgar o livro pela capa.
Do ponto de vista estético vou me ater em dois comentários. O primeiro é sobre as roupas da Chapeuzinho. Achei o máximo ela usar baby look, calça jeans boca de sino e uma mini saia por cima da calça. Também, seria ridículo apresentar em 2007 uma menina com cara de inocente (leia-se idiota), que é passada pra trás por um lobo mau. Pobrezinha! A outra coisa que quero registrar maneira com que os planos diferentes contavam a mesma cena de acordo com o personagem, simplesmente sensacional.
De fato, pra reparar tanto em desenho animado, só gente grande.
15 de agosto de 2007
Ei Fred!


Ontem de noite revirei uma gaveta que passa tempos sem ser visitada. Eis que encontrei meu livro de autógrafos, sim, o livrinho que comprei na Disney em 1997. Dentro dele só tem três assinaturas, eu não sou nada tiete, mas estava lá o autógrafo do Fred. Aí lembrei que eu também tinha uma foto dele. Gabi, pra ti!